A falta de informações por parte da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) leva a família da publicitária Pollyana Arruda Borges, assassinada no dia 26 de setembro de 2009, em Goiânia, a realizar ações que visem pressionar as autoridades policiais e governamentais a se empenhar mais em busca da solução do caso. A mãe de Pollyana, Tânia Arruda Borges, esteve na tarde da última quinta-feira, 22, na Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP), com o novo secretário, Sérgio Augusto de Oliveira, para manifestar a insatisfação da família em relação à forma como a investigação é conduzida.
O secretário, afirma Tânia, se comprometeu em redirecionar a metodologia de investigação, com a participação de mais especialistas e investigadores. Segundo ela, a postura de Sérgio Augusto de Oliveira deixou a família esperançosa que os rumos das investigações vão mudar para melhor. Na manhã da quinta-feira, 22, Tânia Arruda Borges concedeu entrevista emocionada à Rádio Manchester e recebeu o Jornal Estado. Sobre a insatisfação com a falta de informações do delegado responsável pelas investigações, Abézio Leite de Bessa, da DEIC, Tânia disse que, no início a família tinha total confiança na ação da Polícia. “Tudo que era pedido a gente fazia. Não dávamos entrevistas à imprensa porque diziam que era preciso sigilo. Dois meses depois vimos que nada acontecia”, disse.
A postura do delegado, a cada dia, diz Tânia, provocava mais indignação. “As informações que a gente passada eram desprezadas. E depois de uns quinze dias o delegado ligava pedindo os nomes e telefones”, revela. Segundo ela, a partir daí, a família começou a perceber que havia “inoperância, incompetência e descaso”. Outra atitude que provocou chateação, lembra Tânia, foi a garantia dada pelo delegado que qualquer novidade sobre o caso a família seria a primeira a ser informada. Em alguns dias surgiu a novidade. Foi localizado o telefone de Pollyana, que havia sumido do local onde o veículo da publicitária fora encontrado. “Não recebi nenhuma ligação. Fiquei sabendo pela TV”, lamenta.
As informações da Delegacia de Homicídios, diz Tânia, que na investigação sobre a morte de alguns criminosos há depoimentos que poderiam elucidar alguma coisa sobre a morte de Pollyana, geram estranheza. “Nos parece que há uma disputa para saber quem vai chegar primeiro. Mas chegar onde?”. Sobre a movimentação da família para pressionar as autoridades sobre as investigações da morte de Pollyana, Tânia dá um depoimento emocionante: “A criatividade da Pollyana era tremenda. Ela me dizia que uma ação isolada não resolve, que se quisesse comunicar alguma coisa tinha que ser várias ações juntas. Infelizmente para descobrir o criminoso que matou minha filha estou usando a criatividade que ela mesma me ensinou”, conta.
Pelo menos quinze out doors foram espalhados por Goiânia, cobrando das autoridades informações sobre a morte de Pollyana. Para Tânia, o silêncio da Polícia sobre o caso é revoltante. Segundo Tânia, um advogado amigo da família teve acesso ao Inquérito sobre a morte da filha, e percebeu que há muitas interrogações. Uma delas se Pollyana teria ou não sido violentada sexualmente, “primeiro foi, depois não foi, é confuso”. Também foi criado link no You Tube, “para que as pessoas conheçam nossa família e a Pollyana”. Tânia disse ainda que ficou impressionada com a solidariedade das pessoas que já passaram pela mesma dor. “Tem hora que a vontade da gente é deitar e não levantar mais. Mas tem uma força que move a gente”, conclui.
Câmara Municipal
Numa iniciativa da vereadora Miriam Garcia Sampaio Pimenta, foi apresentado requerimento propondo a instituição de uma comissão de vereadores, com objetivo de solicitar audiência com o delegado responsável pelo caso de Pollyana. A finalidade é participar das manifestações de pressão, para cobrar mais empenho nas investigações. Miriam Garcia faz críticas à impunidade que existe no Brasil, e informa que a ida dos vereadores à DEIC deve ocorrer no início do mês de maio. “Sabemos que a Câmara não tem o poder de interferir nas ações da Polícia, mas podemos cobrar, pressionar para que as investigações andem. “A sociedade tem que agir, cobrar. Neste caso e em muitos outros em que pessoas comuns não têm amigos que os ajudem, ou condições financeiras para lutar até o fim”, conclui.
Fonte:http://www.jornalestadodegoias.com.br/noticias_detalhe.php?id_noticia=1960&&id_editoria=4
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